Translate

Mostrando postagens com marcador António Franco Alexandre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador António Franco Alexandre. Mostrar todas as postagens

domingo, 9 de agosto de 2015






















Esta noite, outra noite,
esta manhã que nasce pelas frinchas
da janela pequena entreaberta,
por planaltos e vales caprichosos,
lagos azuis, ravinas e pinhais,
irei de vez em quando perguntando
onde existes? onde estás?

António Franco Alexandre, "Uma fábula"

sexta-feira, 6 de setembro de 2013





Debaixo do colchão tenho guardado
o coração mais limpo desta terra
como um peixe lavado pela água
da chuva que me alaga interiormente
Acordo cada dia com um corpo
que não aquele com que me deitei
e nunca sei ao certo se sou hoje
o projeto ou memória do que fui
Abraço os braços fortes mas exatos
que à noite me levaram onde estou
e, bebendo café, leio nas folhas
das árvores do parque o tempo que fará
Depois irei ali além das pontes
vender, comprar, trocar, a vida toda acesa;
mas com cuidado, para não ferir
as minhas mãos astutas de princesa.



António Franco Alexandre