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Mostrando postagens com marcador Teresa Coelho. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016


















Poema da última folha do caderno

meu coração é bicho de jaula no mundo
cabelo desdentado pela manhã
adaptação de um sol laranja

a espera da luz como
a única companhia

os dias alimentando a pressa
dos azulejos trocadas
num jogo de amarelinha

as placas sem identidade
quebram os faróis do carro
na curva mais escura
dos teus cílios

sinto falta do sino da igreja
a cidade emudecida
cheiro que não se nomeia

minha mãe de saia longa
tecido no arame farpado
o sangue da infância

falar que te amo quando você
(des)aparece no corredor
da universidade

superlua e áudios abafados

meu coração é o mundo dentro
de um bicho enjaulado.

(Teresa Coelho)
Fonte: http://olhosdeespuma.blogspot.com.br/

terça-feira, 2 de dezembro de 2014



















Aos elefantes caducos

- 21 pílulas de vidro explodiram os retalhos
apodrecidos das minhas amígdalas.

Hoje não consegui escrever todas as 365
cartas porque não lembro ter te amado
mais do que as pequenas distâncias infinitas
e humanas que cessam pelo inverso
do tempo o verso do espírito
O inferno voa em cápsulas azuis
celestiais
enquanto eu procuro por um Deus
ou por uma mesa de bar sem memória
rogar perdão por todas as vozes
e línguas e bocas e bocetas e pernas
e perdas e camas e carmas e cansaços
e castigos e artifícios e fogos e fugas
e fodas e ainda sobre a falta de tinta
na parede
E por todas as vezes que
meu peito respirou violentamente
nu
Permaneço entre o caos
e onde morrem os anjos
Calados. 

(Teresa Coelho)
in: http://olhosdeespuma.blogspot.com.br/