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domingo, 21 de dezembro de 2014




Procura-se um amigo sozinho
de andar discreto e gesto silencioso.
Procura-se desesperadamente um amigo
que saiba se aproximar de um passarinho.

Rita Apoena

sábado, 15 de março de 2014




















Não tenho cadernos.
Tudo o que escrevo
escrevo nas paredes do meu quarto.
Se é para estar presa
que seja entre quatro poemas...


Rita Apoena

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014




"Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura.
Esses, sim, são os bons.
Eu só escrevo para fazer afagos.
E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços.
E estreitar distâncias.
Encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez).
Uns escrevem grandes obras.
Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas."

Rita Apoena

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Sugestões para Presente - Rita Apoena




















Amor. 
Bolinhas de sabão. 
O som de copos com água. 

O som das gotas no chão.
Um sorriso tímido.
A música por trás dos ruídos.
Um coração encostado no outro.
Um ou dois 'para sempres'.
Um avião nas mãos de um menino.
Um barquinho de papel.
Uma pipa atravessando as nuvens.
Uma sementeira de tulipas.
Um mingauzinho de aveia.
Um par de meias listradas.
Dois ou três cata-ventos.
Uma palavra inventada...

quarta-feira, 2 de outubro de 2013



Quando você se sentir sozinho, pegue o seu lápis e escreva.
No degrau de uma escada, à beira de uma janela,
no chão do seu quarto. Escreva no ar, com o dedo na água,
na parede que separa o olhar vazio do outro.
Recolha a lágrima a tempo,
antes que ela atravesse o sorriso e vá pingar pelo queixo.
E quando a ponta dos dedos estiverem úmidas,
pegue as palavras que lhe fizeram companhia
e comece a lavar o escuro da noite,
tanto, tanto, tanto... até que amanheça.



Rita Apoena

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Jornal das Pequenas Coisas




Não é que o mundo seja só ruim e triste. 
É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais.
Quando uma pena flutua no ar por oito segundos, 
ou a menina abraça o seu melhor amigo,
nenhum jornalista escreve a respeito.
Só os poetas o fazem.



Rita Apoena