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sexta-feira, 20 de novembro de 2015



















"Venho de uma província obscura, de um país separado de
todos os outros pela cortante geografia. Fui o mais
abandonado dos poetas e a minha poesia foi regional,
dolorosa e chuvosa. Mas sempre tive confiança no homem.
Jamais perdi a esperança. Talvez por isso chegasse até
aqui com a minha poesia e também com a minha bandeira.
Em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade,
aos trabalhadores, aos poetas, que todo o futuro foi
expresso nesta frase de Rimbaud: só com uma ardente
paciência conquistaremos a esplêndida cidade que
dará luz, justiça e dignidade a todos os homens.
Assim, a poesia não terá cantado em vão.”
Pablo Neruda
(excerto do discurso ao receber
o Prémio Nobel de Literatura, 1971)

sexta-feira, 13 de novembro de 2015





















QUERER

Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego 
E de esperar-te quando não te espero 
Passa meu coração do frio ao fogo. 
Te quero só porque a ti te quero, 
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo, 
E a medida de meu amor viageiro 
É não ver-te e amar-te como um cego. 
Talvez consumirá a luz de janeiro 
Seu raio cruel, meu coração inteiro, 
Roubando-me a chave do sossego. 
Nesta história só eu morro 
E morrerei de amor porque te quero, 
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.


Pablo Neruda
Fonte: http://blogdoitarcio2.blogspot.com.br/

segunda-feira, 2 de novembro de 2015





















Nenhuma outra viajará pela sombra comigo,
apenas tu, sempre-viva, sempre sol, sempre lua.
Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves signos sem rumo,
teus olhos fecharam-se como duas asas cinzentas,
enquanto eu sigo a água que levas e me leva:
a noite, o mundo, o vento fiam o seu destino,
e sem ti já não sou senão apenas o teu sonho.

Pablo Neruda

sábado, 31 de outubro de 2015




























ÁGUA

Tudo na terra se eriçou, a sarça
criou raízes e a linfa verde
mordia, lentamente desprendeu-se a pétala
até ser a queda a única flor.
A água é diferente,
não tem regras, somente formusura,
desliza por cada sonho colorido,
recebe lições claras
da pedra
e nesses misteres elabora
os deveres intactos da espuma.

PABLO NERUDA

quinta-feira, 20 de novembro de 2014





















"Venho de uma província obscura, de um país separado de
todos os outros pela cortante geografia. Fui o mais
abandonado dos poetas e a minha poesia foi regional,
dolorosa e chuvosa. Mas sempre tive confiança no homem.
Jamais perdi a esperança. Talvez por isso chegasse até
aqui com a minha poesia e também com a minha bandeira.
Em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade,
aos trabalhadores, aos poetas, que todo o futuro foi
expresso nesta frase de Rimbaud: só com uma ardente
paciência conquistaremos a esplêndida cidade que
dará luz, justiça e dignidade a todos os homens.
Assim, a poesia não terá cantado em vão.”
Pablo Neruda
(excerto do discurso ao receber
o Prémio Nobel de Literatura, 1971)