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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Poema nº 21 - Arriete Vilela


Hoje farejas indícios
de novas trilhas,
velas o teu coração tornado
ríspido, brumoso,
e vais às praças públicas colher
um súbito rosto.

Hoje tenho nos olhos
 
somente a dança das
estrelas cadentes
fazendo-se mar e poesia:
a minha melhor
porção diária de vida.

sábado, 29 de abril de 2017

Lições Tardias - Alberto da Cunha Melo

















Não devemos aprender a esperar.
Devemos, sim,
esquecer as coisas esperadas.
Ainda que nos digam:
"espere-me, à tal hora, em tal jardim",
o jardim nos deve bastar.
Que a chegada daquilo
que nos fez esperar
seja algo normal naquele mundo,
como a morte de uma borboleta
ou a fuga de um lagarto nas pedras.
Se nada chega,
se ninguém aparece,
não notaremos a sua falta.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Um cartão de visitas - Alberto da Cunha Melo

















Moro tão longe, que as serpentes
morrem no meio do caminho,
Moro bem longe, quem me alcança
Para sempre me alcançará.

Não há estradas coletivas
com seus vetores, suas setas
indicando o lugar perdido
onde meu sonho se instalou.

Há tão somente o mesmo túnel
de brasas que antes percorri,
e que à medida que avançava
foi-se fechando atrás de mim.

É preciso ser companheiro
do Tempo e mergulhar na Terra,
e segurar a minha mão
e não ter medo de perder.

Nada será fácil: as escadas
não serão o fim da viagem;
mas darão o duro direito
de, subindo-as, permanecermos.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

















CASA VAZIA
Poema nenhum, nunca mais,
será um acontecimento:
escrevemos cada vez mais
para um mundo cada vez menos,
para esse público dos ermos
composto apenas de nós mesmos,
uns joões batistas a pregar
para as dobras de suas túnicas
seu deserto particular,
ou cães latindo, noite e dia,
dentro de uma casa vazia.
Alberto da Cunha Melo

terça-feira, 25 de abril de 2017

Relógio de Ponto - Alberto da Cunha Melo



















Tudo que levamos a sério
torna-se amargo. Assim os jogos,
a poesia, todos os pássaros
mais do que tudo: todo o amor.

De quando em quando faltaremos
a algum compromisso na Terra,
e atravessaremos os córregos
cheios de areia, após as chuvas.

Se alguma súbita alegria
retardar o nosso regresso,
um inesperado companheiro
marcará o nosso cartão.

Tudo que levamos a sério
torna-se amargo. Assim as faixas
da vitória, a própria vitória,
mais do que tudo: o próprio Céu.

De quando em quando faltaremos
a algum compromisso na Terra,
e lavaremos as pupilas
cegas com o verniz das estrelas.

quinta-feira, 20 de abril de 2017


















Um abrigo
Um lugar ao sol
Um empecilho
A força que
Nos move no planeta,
O absinto
A droga
E eu já não sinto
A vertigem
O luar
O orgasmo
A vontade de voar

Carlos Maia
22/03/17

terça-feira, 18 de abril de 2017




















Eras imemoriais
Permeiam
A minha mente
Fogos fátuos
Nebulosas
Sombras acolhedoras...
Bananeiras, cajás,
Tamarindos.
Lindas faces
Negras africanas.
Ametistas,
Rubis, esmeraldas.
O mel de uma
Vida limpa.
Nenúfares,
Elefantes, búfalos...
A África
Dentro de mim!

Carlos Maia
16/04/17

segunda-feira, 17 de abril de 2017




















Ouço uma voz
Que me chama.
Não é desta Terra,
Não é dessa esfera,
Não é dessa dimensão.
Essa voz
É como um vulcão!
Essa voz não
Tem tempo,
Nem movimento,
Não tem início
Nem fim.
Essa voz
Ruge
Dentro de mim!

Carlos Maia
16/04/17

domingo, 16 de abril de 2017

















Para Antônio Carlos Oliveira (Tatá)

Você se lembra, amigo?
Quando, como Apolos,
Desbravávamos
Dimensões inimagináveis?
Quando não tínhamos medo
Do desconhecido
E que o inusitado
Era o nosso cotidiano?
Você se lembra, amigo?
Quando a matéria
E os nossos próprios corpos
Eram meros veículos
Que nos levavam
A viagens totalmente insólitas?
Onde eu me via
Candidamente em você
E você em mim?
Você se lembra, amigo?...
Em que curva da estrada
Eu te perdi
E você a mim?

Carlos Maia
31/12/16

sábado, 15 de abril de 2017

















À DERIVA

Estamos todos
No mesmo mar
Uns em Mega-Hiper
Iates de luxo,
Outros em câmaras
De pneu de trator,
Mas independente
Do grau de conforto
Estamos todos
À deriva.

Carlos Maia
19/12/16

segunda-feira, 10 de abril de 2017


















Chama Brisa

Lampeja relâmpago
Centelha faísca
Brisa inflama
Chama a chama

Arde a ferida
Sua a dor
Apaga, incandesce
Movimento, calor

Pranteia, abriga
Dissolve-nos
Ilumina a cor
Brisa vem, suaviza
Move a chama
Ventila em-canto
Flameja cura
Dança a vida

Jordanna Mendonça


Inspiração recebida em 30/08/2016. Dia da notícia do início do tratamento de Janine.

















É lindo demais
Do sertão ao cais
Imagens fantasmagóricas
Do teu passado guerreiro
Joaquim Nabuco
Duarte Coelho
Ponte Maurício de Nassau
Recife à noite
Me inebria
Me acalanta
E me cria
Estrela D'Alva
No Marco Zero
Recife,
Cada dia mais
Eu te quero!

Carlos Maia
09/04/17

terça-feira, 4 de abril de 2017

















Voltei para rever
A praça Maciel Pinheiro
Sentir o fedor
Das esquinas sujas
Da minha cidade
Dos paradoxos
Da minha cidade
Cidade que está 
Entranhada nos
Meus ossos.
Cidade que me extasia
E causa nojo
Ao mesmo tempo
Cidade que me alucina,
Me prende e me fascina
Cidade que me atordoa
Cidade em que eu fico à toa.
Cidade que me cansa
E me renova
Cidade com a qual
Irei até a cova.
Cidade que me mata
E me acorda.
Recife,
Minha eterna
Veneza Brasileira,
Irei contigo
Até o fim!

Carlos Maia
03/04/17

domingo, 25 de setembro de 2016


















Erickson, Erickson...
Como eu poderei chegar agora
No mercado da Boa Vista
E não haver mais a possibilidade
Da tua presença lá...
Ou na segunda sem lei
No Burburinho
Ou pelas ruas de Recife
Nas noitadas intermináveis...
Escuto o canto do Capibaribe,
Um canto
Triste e silente,
Não ouvirei mais
A tua lucidez, amigo,
Embriagado; pela vida!
A única coisa que eu
Desejo agora
É a morte
Para poder aplacar
A minha dor
Mas,
Não tenho pressa...

Carlos Maia

sábado, 24 de setembro de 2016



















E aqui estamos reunidos
Nesta noite
Sem portais,
Os umbrais do tempo ecoam
No mais longínquo do nosso ser.
Eis tempo, eis templo,
Eu diante de ti
A minha alma acaricia
A luz do espectro
Desta vela,
E ela lança um caleidoscópio
De cores
Em nossas almas;
Vem, vem comigo
Nesta estrada de terra
Sentir a poeira varrer as nossas almas;
Vem andar pelos trigais
Qual Van Gogh em noite
Raio de luz,
E neste templo dos iniciados
O que se escuta
É o crepitar da chama,
    É o crepitar da chama...

Carlos Maia

sexta-feira, 23 de setembro de 2016



















Já fui andorinha, pardal,
Falcão, gaivota e águia.
Já fui Cipreste no sul
Do Líbano.
Coqueiro
Em Arraial-da-Ajuda,
Hoje eu sou um homem
Voando em espantosa velocidade
Pelos confins do Universo
Sou um Pássaro,
Sou um homem,
Sou tantos e ao mesmo tempo
Nenhum.
Em que banco
De ônibus
Ficou perdida
A minha identidade?

Carlos Maia

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

















Ainda hei de fazer uma canção
De amor pra ti Recife,
Recife, dos rios dourados pelas
Luzes da noite.
Recife, dos flamboyants e das acácias.
Recife, das auroras em Boa Viagem
Após porres homéricos na Rua da Moeda.
Recife, das putas adolescentes
Da Cons. Aguiar.
Recife, dos pedintes nos sinais
Recife, dos pôr-dos-sóis no Capibaribe.
Recife, de tanta miséria
Recife, de tanto prazer
Recife, das pontes inumeráveis
Recife, dos poetas espoliados.

Carlos Maia

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

















Coloquei a camisa mais colorida
e o meu colar de poder
aspergí-me com o perfume
das flores campestres
e saí pro mundo
pro turbilhão
das mentes insanas...

Carlos Maia

SAÍ PRO GARAGEM!

terça-feira, 20 de setembro de 2016


Não há mais flores de Maio
E a esperança
Há muito
Adormeceu nas conchas...
Resta uma estrada a seguir
Buscar no âmago
O valor da essência
Não desperdiçar mais
Palavras nem atos
Quase tudo já foi dito...
Ainda queima em meu coração
Este sol dos teus olhos...

Carlos Maia

segunda-feira, 19 de setembro de 2016




















De noite, sob as estrelas
Cavalgar sem rédeas
À beira-mar...
Ah! Estrela-do-mar
Toma meus sonhos
Em teus braços
E conta pra tua
Amiga do céu,
Todos os meus desejos...
De caminhar com
Minha amada
Entre os girassóis,
De colher lírios
No campo...
E de noite, sob as estrelas
Dormir na praia deserta.
Desperta,
Na palma das nossas mãos.

Carlos Maia


domingo, 18 de setembro de 2016



















Meu passado...
Tudo que vivi
Tudo que sou
Todos os descaminhos
Todos os acertos
Todo gozo
Toda dor
Todo aprendizado.
E ao mesmo tempo
É tudo
Como folhas de outono
Voando na relva...

Carlos Maia

sábado, 17 de setembro de 2016



















Segunda-feira morta
No Recife antigo.
Passeio pelos
Recônditos de minha
Alma,
Deserta,
Como este lugar.

Carlos Maia

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

























Olho para a porta aberta
Do meu guarda-roupa
E escrevo esta poesia
Num caderno que não é meu
Com uma caneta
Que não escreve
E ouço
Uma música que já não é minha...
Olho para a porta aberta
De um quarto
Que já não é meu...
Nada me pertence
E eu fecho as portas
Daquela pessoa
Que eu fui;
E não tenho mais
Saudades,
O
  Futuro
         Me
             Espera
                 E eu parto
                     Em busca
    De uma rosa
                perdida
                       a vagar
                pelas
      estradas
da minha
mente...
O Futuro
     Me
       Espera
          caro amigo
                 sentado
             no meu
        quarto
      a
ler playboys
e livros e a me fazer
perguntas.
Olho agora para a porta aberta
Do meu Destino...
E me questiono
Por que a vida
De repente
Ficou sem sentido?
Escrevo com uma caneta sem tinta
     Num caderno que não é meu!
                Acabou a tinta
     mas eu continuo a escrever!
               Acabou a tinta
              a tinta acabou!

Carlos Maia