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quarta-feira, 31 de julho de 2013

























Até onde eu lanço esse grito?
Até o encontro
Das estrelas e das galáxias
Até o vazio
Das paredes deste quarto
Até onde
Vai o medo
Até onde
Uma palavra mal interpretada
vence uma amizade
Até onde
Eu não soube calar
Até onde
Eu não esperei
Até onde
Eu machuquei
Até onde
Eu sangrei todos esses anos
Até
Até
Até
Até encontrar
A Paz...



Carlos Maia
06/10/09

terça-feira, 30 de julho de 2013


















Para meu Pai.



Ele me ensinou
A molhar o corpo aos poucos,
Primeiro os braços,
Depois as pernas,
E por último a cabeça.
Para eu poder me acostumar
Quando a água estava muito fria
E ainda não tínhamos chuveiro elétrico.

Ele me ensinou
O nome das árvores
E de todos os pássaros
Que existiam na granja,
Mas eu já os esqueci
Em meus vôos insanos
E caóticos
Por dentro da noite 
E de mim mesmo.

Ele me ensinou também a poupar
Mas eu já me esqueci
Há muito tempo
Na ânsia de viver
Toda a minha vida
Num só segundo.

Mas ele me ensinou
Certas coisas
Que ficaram guardadas como
Pérolas de grande valor
Em compartimentos secretos
Do meu coração:
Honestidade, fidelidade,
Trabalho, perseverança!



Carlos Maia
16/11/09




















E a cidade brilhava,
Sob as estrelas,
As suas luzes tranquilas...
E lembrava o sonho
Dos Reis Magos
A passear naquele céu
Pleno de paz...
E a terra
Pulsava em harmonia
Naquela noite
Sob as estrelas...
Como se o despertar
Dos homens
Fosse um sonho
Possível,
Naquela noite,
        Naquela cidade,
                    As estrelas...



Carlos Maia
Outubro/91

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Um poema natalino cruel.



















Eu queria dizer alguma coisa pura,
mas a pureza já me abandonou
há muito tempo.

Eu queria dizer alguma coisa nobre,
mas a nobreza cata as latas
de lixo nos porões dilacerados
da minha mente,
e não há mais remédio.

Eu queria dizer alguma coisa esperançosa,
mas a esperança
já abandonou o barco após incontáveis
desapontamentos.

E só me resta a dor,
que procuro sufocá-la através das drogas
e do álcool.

Eu queria desejar um Feliz Natal,
mas a realidade aí fora
é cruel demais e eu não consigo
ignorá-la.

Carlos Maia
23/12/09

sábado, 27 de julho de 2013


















Eu queria saber desenhar
Pra poder dizer tudo
Que vai dentro de mim.
Esse grito contido,
Essa espera,
São frutos de um mesmo
Sentimento.
Sentir Deus em toda sua
Pureza, perfeição e glória.
Ter uma pequena idéia
Do seu reino
Através das estátuas
De sol em
Uma onda que se quebra
Num mar agitado e tenso...
E de uma aurora
Que se descortina
Em mil cores vivas
Esvoaçando e abrindo
Sua mente em paz.
A paz de uma onda
Que se quebra
Contra o vento e deixa
Uma névoa de música
No seu rastro,
Branca e pura como
A areia ainda intocada;
A paz
De um dia novo que
Começa no coração
Da gente;
Como um sentimento
De uma gaivota
Planando num mar
Límpido e cristalino.
E toda a força
Da chuva
Molhando nossas almas
À beira-mar...
E sentir que tão poucos
Sentem isso.



Carlos Maia
Junho/81

sexta-feira, 26 de julho de 2013




Do alto de uma colina
Contemplava o mar,
O vento batendo com fúria
Em seu rosto.

No peito,
Um coração em pedaços
No chão,
Todos os sonhos
Da adolescência.



Carlos Maia
Novembro/82

quinta-feira, 25 de julho de 2013





Creio:

Em Deus,
na evolução das espécies,
na minha capacidade de
me adaptar
às situações as mais adversas,
no sorriso e no olhar das crianças,
no amor e na esperança,
no orvalho da manhã,
no sabor da hortelã,
no mel dos teus olhos,
creio nos abrolhos,
creio na ciranda e no maracatu,
creio em mim e creio em tu.

Creio que no final
o bem vencerá o mal!!!



Carlos Maia
15/03/10

quarta-feira, 24 de julho de 2013





Você pode me negar
uma estrela
e a minha expansão
ao infinito,
mas é aí que eu lanço
com mais força
o meu grito.


Carlos Maia
31/03/10

segunda-feira, 22 de julho de 2013















no exílio onde 
padeço angústia
os muros invadem

minha memória
atirada no Abismo
e meus olhos

meus manuscritos
meus amores
pulam no Caos

Roberto Piva
(1937 – 2010)

domingo, 21 de julho de 2013




É preciso reconstruir
Apesar do indescritível
Desânimo dos escombros
É preciso lançar pontes
Novamente em direção
Ao semelhante
E regá-las
Com o firme alicerce
Do perdão
É preciso chorar,
Amar, se dar
Saber que felicidade
É um sonho
Que se constrói no coletivo
E que não há sentido
Em ser feliz sozinho.



Carlos Maia
26/06/10

sábado, 20 de julho de 2013





As cores caminham
Entre as bananeiras
E coqueiros.
Por que não dizer as conchas
Entre os coqueiros
Na madrugada de Olinda,
Banho de mar
Entre os barcos brancos
Do Atlântico.
Como se fosse possível
Extrair da boca
A palavra mais pura.
Areia
Entre os corpos molhados
De sol.



Carlos Maia
Abril/84

quinta-feira, 18 de julho de 2013




















Meus olhos repousaram
Na foto daquele pôr do sol
Sobre um campo florido
As flores também vermelhas
E eu não sabia mais
O que era terra
E o que era céu.
Estático, 
Diante tanta beleza,
Ouvindo Mercedez Sosa,
Me senti uno com a criação
Eu era aquele campo...



Carlos Maia
18/07/13.

quarta-feira, 17 de julho de 2013




Antes fostes
Do que não
Para onde
Já voltou
Antes fostes
Não sendo
Do que não
Para o porque
Aonde agora a hora
Vais Maria?



Carlos Maia
Abril/83

terça-feira, 16 de julho de 2013

























Havia noites em que
A porta ficava aberta,
E podíamos vislumbrar
Na penumbra
A cidade mergulhada na neblina.
Havia noites em que
A porta aberta
Saíamos na chuva
Pelas ladeiras de Olinda.
Havia noites
Em que a tristeza
Era uma mera
Lembrança,
Perdida
Nos confins da infância,
Entre mangueiras
E atiradeiras.
Havia noites
Em que pairava
Como uma gaivota,
A eternidade do momento.

Carlos Maia
Maio/84

domingo, 14 de julho de 2013


























Quando Gabriel, aos 8 anos
De idade, me presenteou
Com um seixo em forma
De uma pequenina
Bola de gude,
Meu coração palpitou
De alegria,
Pois ali estavam reunidas
Naquela criança,
Toda a pureza e doçura
Que um ser humano
Possa ter.


Carlos Maia
14/07/13



















QUALQUER DOMINGO

Aleksander Aguilar

 
Vamos viajar juntos até Belgrado,
alugar uma van, cruzar os Bálcãs,
onde eu possa te ver acompanhando o acordeom,
imaginário,
black cat white cat de repente acordado
de manhã-tarde por musiquinhas publicitárias
em línguas resistentes e renovadas
e jamais voltar a desperdiçar
teus tão pequenos dedos como os dos versos de E.E Cummings
nem as tão finas gotas como o do teu cheiro,
que doem.


Dêiticos: Textos curtos para Ítaca.
América Latina/Centroamerica.Brasil/El Salvador.Política/Relaciones Internacionales.Comunicación Social/Linguística.Arte/Cultura.Yo/Jornada a Itaca.And Some other things
deiticos.blogspot.com

sábado, 13 de julho de 2013




A rua
com as suas infinitas
possibilidades
o barulho
das folhas ao vento
conhecer pessoas
trocar pensamentos...

Carlos Maia
25/07/10

sexta-feira, 12 de julho de 2013





Ontem eu fiz um poema
que foi até o âmago da questão
de por que o amor briga,
desse nosso egocentrismo
a toda prova,
das noites de insônia
e pavor
por não ter um sentido
pra vida,
de ficar olhando
o caos
horas a fio
e não ver mais sentido
numa flor de lótus
que brota da lama
do que o vazio obscuro
e ilimitado.
Eu ontem fiz um poema
que desatava o grande
nó da existência humana
e tudo parecia fazer sentido...
Mas por não ter caneta
e papel na hora,
ele se perdeu no espaço.


Carlos Maia
28/09/10