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Mostrando postagens com marcador Sérgio Leandro. Mostrar todas as postagens
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sábado, 26 de março de 2016























ESTRANHO

Nunca saberão quem sou,
de onde vim,
aonde vou,
muito embora eu tenha as mãos eternamente abertas
e a alma diariamente entregue ao sol.

Sérgio Leandro

sábado, 30 de janeiro de 2016


BARUCH

Trago flores mortas para ti.
Para o teu mundo de lágrimas antigas,
para o teu mundo de novas bandeiras
e exércitos em marcha,
trago novas cantigas,
um cântaro vazio nas mãos e o sonho que não sonhaste.
Depois de tanto,
de tantas noites vazias,
teus olhos tão tristes,
silentes,
profundos,
são duas câmaras sepulcrais
numa manhã de outono.
Leva-me contigo.

Sérgio Leandro

quarta-feira, 23 de abril de 2014

IEREVAN - Sérgio Leandro




Agora que o silêncio invade a casa,
eu penso na morte com mórbido carinho...
penso no amor que não foi,
e que, talvez, nunca será.
O dia avança e a vida transcorre
entre acertos, desvarios e descaminhos.
Não faz sentido ser um homem sem sonhos.
Deixa fervilhar dentro de ti alguma revolução, por menor que seja.
Apesar da morte, do medo da morte ou do desejo da morte,
o homem parece resistir ao silêncio.
Baila dentro das trevas como uma estrela rebelde
e não te esqueças do teu Deus, que te viu menino sem palavras
e hoje te vê amante do verbo...
Agora que o medo é fogo e que a vida dói,
eu penso no bálsamo dos teus beijos,
lembro com certa mágoa do carinho de tuas mãos.
Não me leves a mal por pisotear as flores que me deste:
Eu guardo com carinho o vaso trincado do nosso amor...
não me leves tão a sério.
Eu tenho um coração mortal para amar coisas eternas.
Por onde andarão teus pés?
eu faço longas caminhadas para dentro de mim mesmo.


27/01/2011

domingo, 20 de abril de 2014

Sentidos - Sérgio Leandro




Trago um verso triste
Para um mundo que brinca carnaval,
Trago um folguedo
 Para um mundo que conta seus mortos.
Quantos sonhos resistem a um mundo de pesadelos?
Trago um verso de amor
Para falar do amor que não foi,
Do amor que deveria ter sido...
Trago à vida um sonho passado
Para iluminar as trevas do presente,
Faço a mesma oração desesperada
Ao Deus que prefere o silêncio ao tumulto dos homens.
Quanto tempo deve durar sobre a mesa a cerveja da reflexão?
Dois mil cálices do vinho da discórdia
Não matariam a sede humana de rebelião...
Trago um verso lapidado
Para um mundo que desmorona,
Trago um discurso inflamado para homens que tapam os ouvidos...

sábado, 19 de abril de 2014

Canção Minha - Sérgio Leandro




Quem me dera escrever um poema
Que fizesse adormecer os homens
E acordar os poetas.
Quem me dera uma canção em chamas
Que atravessasse a noite
Sobre esperanças mal iluminadas...
Eu, então, seria um homem feliz
Entre meus passos sem rumo
E teus olhos envoltos em brumas de silêncio...

terça-feira, 15 de abril de 2014

O Grande Abraço - Sérgio Leandro




poeta França (in memorian)

                                               "...ó morte servidora da vida,
                                                   porteira com a chave da mansão
                                                   celestial, sê meu Deus..."

Vai poeta, vai.
A canção não tarda,
A vida não se demora
E o grande abraço une o homem às estrelas.

Vai poeta, vai.
Para ser sempre
É preciso ir embora
Porque não nos faz grandes a matéria que treme ao frio,
Mas o pó que se une ao vento.

Vai poeta, vai.
Cumpre a profecia:
O grande abraço nos une à terra,
Somos todos deuses de cinzas
Lançados ao vento.

Vai poeta, vai.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Morada dos Poetas - Sérgio Leandro




Recife,
na língua dos deuses, morada dos poetas.
Recife,
a Aurora é um poema encharcado numa manhã chuvosa de abril.
Recife,
não quero falar de tuas pontes,
tuas revoluções libertárias,
tuas liberdades sufocadas,
tuas noites de silêncios abissais no bairro antigo...
me bastaria Bandeira da União,
me bastaria a eterna do rio
que atravessa o teu corpo
e que os homens não conseguiram calar.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Enos - Sérgio Leandro




Tudo que sou é poeira no vento,
Sou apenas solidão e desalento
Longe do círculo sagrado dos teus braços.
Sou as lágrimas acumuladas de todos os cansaços
E o sangue que à noite o pó revela...
Minha aquarela em pedaços te saúda nos portais que a tarde encerra...
Cantaria outro mundo se amasse,
Choraria se cantasse outro amor.
Toda dor é um caminho entre abraços.


04/05/2009

quinta-feira, 20 de março de 2014

Apontamento - Sérgio Leandro




















Às margens do meu sonho
o mundo vomita sobre
os homens
o dia,
o café amargo ou doce demais,
as recordações tristes que insistem,
as pequenas alegrias,
os comércios de sempre:
o preço do pão,
a gasolina,
a página impressa.
Às margens do meu sonho
dragões cospem fogo
nos capinzais da razão humana.
O dia de hoje não precisava deste apontamento.


13/02/2009

Eva - Sérgio Leandro.

























Eu amo o inferno
que trazes entre as pernas,
teu cheiro inebriante de cio,
as maçãs vermelhas,
os teus ais,
a flor em chamas do teu sexo,
tudo aquilo que guardas,
negas, mas depois me entregas...
da cor dos teus cabelos
ao sangue dos teus pés
loucura e fome se constroem,
o pecador devora o santo.
Deita-te comigo e me ama
doce e ferozmente,
que o leite da espera
anseia o cálice do teu corpo.



10/03/2009

Saída de Emergência - Sérgio Leandro




















Meu coração tem uma porta lateral
por onde entram e saem a todo instante
o homem que perdeu a direção,
o cão de olhos tristes,
a criança sem pai,
o poema que não foi passado a limpo...
o que sei da vida é muito pouco
para calar meus medos infantis
e acalentar o homem apavorado.
Meu coração tem uma porta lateral
por onde arrasto um punhado de canções
para alegrar o cão de olhos tristes,
a criança sem pai,
e o homem apavorado.



13/02/2009

Outonal - Sérgio Leandro























Ornamentavam a minha tarde
as folhas que tombavam das árvores
em honra do outono.

Eu teci com minhas preces vazias
um tapete para recobrir o infortúnio
de estar tão perto e tão distante do Deus vizinho...

Nem céu, nem inferno
somente o desassossego
debaixo do ruflar de asas do querer contrariado

Nem céu, nem inferno
somente folhas secas
recobrindo o chão do outono com mensagens para
os homens.


04/02/2009

terça-feira, 18 de março de 2014

Coração de Poeta - Sérgio Leandro


















Eu caso meu coração de poeta

com o cheiro de café 
da manhã que nasce.



Eu caso meu coração de poeta
com os caminhos do esquecimento,
com as bandeiras sem pátria,
e com a cor sem nome que enche teus olhos tristes.



Com anjos do presente
e fantasmas do passado
eu caso meu coração de poeta.



Vejo homens acenando adeus.
Quando eles me saúdam sorridentes pelas ruas,
uma lágrima despenca de seus sorrisos.



Alguém plantou inquietação no coração do homens.

04/02/2009