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quarta-feira, 31 de agosto de 2016


Do alto de uma colina
Contemplava o mar,
O vento batendo com fúria
Em seu rosto.

No peito,
Um coração em pedaços
No chão,
Todos os sonhos
Da adolescência.

Carlos Maia

terça-feira, 30 de agosto de 2016


Você pode me negar
uma estrela
e a minha expansão
ao infinito,
mas é aí que eu lanço
com mais força
o meu grito.

Carlos Maia

segunda-feira, 29 de agosto de 2016



















É preciso reconstruir
Apesar do indescritível
Desânimo dos escombros
É preciso lançar pontes
Novamente em direção
Ao semelhante
E regá-las
Com o firme alicerce
Do perdão
É preciso chorar,
Amar, se dar
Saber que felicidade
É um sonho
Que se constrói no coletivo
E que não há sentido
Em ser feliz sozinho.

Carlos Maia

domingo, 28 de agosto de 2016


















As cores caminham
Entre as bananeiras
E coqueiros.
Por que não dizer as conchas
Entre os coqueiros
Na madrugada de Olinda,
Banho de mar
Entre os barcos brancos
Do Atlântico.
Como se fosse possível
Extrair da boca
A palavra mais pura.
Areia
Entre os corpos molhados
De sol.

Carlos Maia

sábado, 27 de agosto de 2016

























Havia noites em que
A porta ficava aberta,
E podíamos vislumbrar
Na penumbra
A cidade mergulhada na neblina.
Havia noites em que
A porta aberta
Saíamos na chuva
Pelas ladeiras de Olinda.
Havia noites
Em que a tristeza
Era uma mera
Lembrança,
Perdida
Nos confins da infância,
Entre mangueiras
E atiradeiras.
Havia noites
Em que pairava
Como uma gaivota,
A eternidade do momento.

Carlos Maia

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

















A rua
com as suas infinitas
possibilidades
o barulho
das folhas ao vento
conhecer pessoas
trocar pensamentos...

Carlos Maia

quinta-feira, 25 de agosto de 2016



















Ontem eu fiz um poema
que foi até o âmago da questão
de por que o amor briga,
desse nosso egocentrismo
a toda prova,
das noites de insônia
e pavor
por não ter um sentido
pra vida,
de ficar olhando
o caos
horas a fio
e não ver mais sentido
numa flor de lótus
que brota da lama
do que o vazio obscuro
e ilimitado.
Eu ontem fiz um poema
que desatava o grande
nó da existência humana
e tudo parecia fazer sentido...
Mas por não ter caneta
e papel na hora,
ele se perdeu no espaço.

Carlos Maia

quarta-feira, 24 de agosto de 2016



















Meu nome é Carlos Maia, 7 meses e 14 dias limpo,
mas eu preferia me apresentar como Carlos Maia,
2.555 abraços dados de um ano pra cá
porque um maluco norte-americano disse que
precisamos dar sete abraços por dia para ser feliz
e dar um abraço realmente é uma coisa muito boa,
mas não sei como se pode quantificar a
medida da felicidade.
Preferia me apresentar como Carlos Maia,
pelo menos 365 pessoas ajudadas de um ano pra cá,
porque ajudar pelo menos uma pessoa por dia é
uma coisa plenamente factível e eu acho ainda
que é muito pouco.

Preferia me apresentar como Carlos Maia, 3.650
sorrisos dados de um ano pra cá, porque se você
tiver um coração grato sempre poderá sorrir de
toda e qualquer situação pois essa é a vontade
de Deus para sua vida,
e se você não ficar olhando só para o seu umbigo
verá que tem gente em piores condições que você.
Preferia me apresentar como Carlos Maia,
amou sem medida de um ano pra cá, porque o amor
é o cumprimento de toda a lei
e cobre multidões de pecado.
Preferia me apresentar como Fernando Pessoa:
"Eu não sou nada, não quero ser nada
e nem posso ser nada",
mas posso todas as coisas naquele
que me fortalece. (Filipenses 4:13)

Carlos Maia

terça-feira, 23 de agosto de 2016





















A realidade que eu vejo
Não serve para explicar
O que sinto.
Quero um milhão de sóis
De Van Gogh
A brilhar entre os corvos
Quero luas girando
Num campo de trigo
Quero a mais louca
Paz
De quem descobriu
Sua essência.
Num mundo de robóticos
E que só dizem
Sim
Eu quero ser
A placa de contramão!

Carlos Maia

segunda-feira, 22 de agosto de 2016
















Navego por entre os escombros
De uma sociedade falida,
Que carrega dentro de si mesma
O verme da sua destruição.

Carlos Maia

domingo, 21 de agosto de 2016






















Eu que já passei pela voragem
De não saber quem sou
E me perdi nas drogas
Buscando um sentido
Pra minha existência.
Hoje digo sim à Vida
E tenho gana de querer vencer
De recuperar o tempo perdido
De acreditar em mim mesmo
Saber que eu posso
Se eu tentar!
De que às vezes uma pequena frase
Pode mudar o seu dia
De que é tão importante o perdão,
A paciência, a compreensão,
O não revidar.
Às vezes é melhor calar.

Carlos Maia

sábado, 20 de agosto de 2016


Deixa fluir esse fogo, amor.
Vem!
Abre tuas asas, gaivota
E me dá um bloco branco
Pra eu reinventar
A vida!

Carlos Maia

sexta-feira, 19 de agosto de 2016
















Quem sou eu?
A pergunta reverbera no tempo,
viaja em eras ignotas,
passa pelo consciente coletivo,
escala muralhas em castelos medievais,
escuta o coaxar dos sapos em lagos imemoriais,
acampa em planícies geladas
e subjuga a minha mente!
Quem sou eu? Quem sou eu?

Eu, que tantas vezes morri
Eu, que tantas vezes renasci
Eu, que vago em busca da minha identidade
Não sei se Napoleão, mendigo,
Rimbaud ou Van Gogh

Eu, que preciso de estímulos visuais,
sonoros, tácteis, mentais
para me sentir vivo.
Eu, desnorteado em busca
de um sentido pra minha própria vida,
Vago por entre eras...

Carlos Maia

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

















O homem com as suas
Máquinas possantes
Distancia-se
A cada dia mais
Do próprio homem
E anda perdido em whatsapp’s,
facebook's, e-mail's e internet
E não vê mais o amigo
Face a face!


Carlos Maia

quarta-feira, 17 de agosto de 2016




















A seriedade
Dos homens de plástico
Que leem jornais
E não veem
Os Ipês roxos
Floridos
Da Agamenon Magalhães
Esmaga
Todo o cotidiano!

Carlos Maia

terça-feira, 16 de agosto de 2016

















Eu colho flores
Pelas ruas das graças
Para dar a minha amada
Jasmins, violetas, hibiscos e
orquídeas.
E o perfume delas
Me deixa inebriado
Como o nosso amor.
Temos beijos de manga, de pitanga,
de pistache e de amarula.
E ela adormece todas as noites
Recebendo cafunés
No aconchego do meu ombro,
Com sua coxa
Entre as minhas coxas.
E eu fico acordado
Velando o seu sono.
Ela me faz listas
de desejos puros,
E eu faço para ela
listas de desejos
para a minha amada.
Ela resgatou-me
Dos braços da morte,
E todos os dias
Me dá um novo alento.
Planejamos num futuro longínquo
Viajar pelas estrelas,
Enquanto isso
Vamos plantando
Em nossa estrada
Sementinhas de rubi.

Carlos Maia

segunda-feira, 15 de agosto de 2016


















Eu era um índio
Que caminhava
Pelas ruas de barro
De Gaibú
Flores de Jasmim
Pelos longos cabelos
O que é que eu
Digo de mim, nesse
Furacão que é
A minha mente?
Eu sou um monstro
De rutilância
Em meio aos destroços
Que ficaram.
No entanto resta
Uma esperança,
É quando eu passeio
Os meus olhos nos teus
No aconchego
Do teu abraço.

Carlos Maia

domingo, 14 de agosto de 2016












Se há um paraíso
Não pode ser
Melhor do que isso aqui,
De passear meus olhos
No brilho dos teus
E contemplar o teu sorriso.
O teu colo de jasmim,
O teu navegar
Pelas estrelas,
O teu passear
Em mim.

Carlos Maia

sábado, 13 de agosto de 2016



















A foto da rosa
No jardim
Junto a tua foto,
Meu pai,
Como uma homenagem
Póstuma.
Esta rosa
Jamais murchará
Quanta saudade, meu velhinho,
Quanta saudade...
Shangrilá manda
Lembranças para ti
Sei que agora
Estás em outra dimensão
Mas recebe
Esta rosa com carinho.

Carlos Maia

sexta-feira, 12 de agosto de 2016


















Havia noites em que
porta ficava aberta,
E podíamos vislumbrar
Na penumbra
cidade mergulhada na neblina.
Havia noites em que
porta aberta
Saíamos na chuva
Pelas ladeiras de Olinda.
Havia noites
Em que a tristeza
Era uma mera
Lembrança,
Perdida
Nos confins da infância,
Entre mangueiras
atiradeiras.
Havia noites
Em que pairava
Como uma gaivota
A eternidade do momento.

Carlos Maia