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terça-feira, 29 de abril de 2014

Dimensão Lúdica - Lucas Lopes


















Eu vi a lama no meio das canelas
Vi a tarrafa parada no ar
Comi a caldeirada de Itapissuma
Cheguei na Ilha de Itamaracá

Descobri que as lagartas de fogo
Levavam flores bem mais bonitas
Belas, oração de ano novo
Velas pra Iemanjá

Vi coração de peixe bater
Pescador fazer fogueira
Queimando palha pra comer
Salgando o peixe na beira

E o pé do galego fervia
O irmão da ostra passava
Tá graúda, ô galego
Traga mais uma, gelada

Se de dia tem maré cheia
A noite tem rede arrasta
Puçá, samburá e agulha
Facho de luz que passa

Memórias de uma infância
E o sol quase chegando
Vou dormir que nem criança
lembrando, lembrando, lembrando...

terça-feira, 15 de abril de 2014

A Natureza Mastigada - Lucas Lopes




Um caminho minado
Ruminada, proveitosa
A natureza observada
De um, dois, três lados
Enxergada e despercebida
A natureza evaporada
Dos repertórios de gente viva
A comunicação, a coragem
O bem estar orgânico
O natural, espontâneo
O inconsciente coletivo
O social, a invisibilidade
A expansividade, o transcendental
O ritmo do pulso
A ansiedade, o chão
Os santos se batem
A proteção é um círculo
Cheio de arestas, riscos
Pontos, luzes e sombras
Choros felizes
Risadas esquizofrênicas
Fugas intuitivas
O corpo fala, dita
A razão escolhe o amor
O inconsciente vira razão
Informação coletada
Das gavetas essenciais
Arte viva, criada da bagunça
das letras, das situações
da coleta desconstruída
dos experimentos, do grito
A natureza em alto som
Só floresta e calor
A corrente eletro sanguínea
Sentida, molhada
Subida e queda d’água
Micro partículas, fluídos
Todas do bem, cristalinas
A divina natureza
Agressiva e bem humorada
Quase bipolar, nesse sistema
Fluorescente, selvagem
Belo pelo encantamento dos encontros
Belo pelo canto das velas
Belo pelo caminho percorrido
Pela seiva, pelo sangue corrente
Pelo som das asas
A natureza mastigada
É a vida mais vivida que pensada