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terça-feira, 25 de abril de 2017

Relógio de Ponto - Alberto da Cunha Melo



















Tudo que levamos a sério
torna-se amargo. Assim os jogos,
a poesia, todos os pássaros
mais do que tudo: todo o amor.

De quando em quando faltaremos
a algum compromisso na Terra,
e atravessaremos os córregos
cheios de areia, após as chuvas.

Se alguma súbita alegria
retardar o nosso regresso,
um inesperado companheiro
marcará o nosso cartão.

Tudo que levamos a sério
torna-se amargo. Assim as faixas
da vitória, a própria vitória,
mais do que tudo: o próprio Céu.

De quando em quando faltaremos
a algum compromisso na Terra,
e lavaremos as pupilas
cegas com o verniz das estrelas.

quinta-feira, 20 de abril de 2017


















Um abrigo
Um lugar ao sol
Um empecilho
A força que
Nos move no planeta,
O absinto
A droga
E eu já não sinto
A vertigem
O luar
O orgasmo
A vontade de voar

Carlos Maia
22/03/17

terça-feira, 18 de abril de 2017




















Eras imemoriais
Permeiam
A minha mente
Fogos fátuos
Nebulosas
Sombras acolhedoras...
Bananeiras, cajás,
Tamarindos.
Lindas faces
Negras africanas.
Ametistas,
Rubis, esmeraldas.
O mel de uma
Vida limpa.
Nenúfares,
Elefantes, búfalos...
A África
Dentro de mim!

Carlos Maia
16/04/17

segunda-feira, 17 de abril de 2017




















Ouço uma voz
Que me chama.
Não é desta Terra,
Não é dessa esfera,
Não é dessa dimensão.
Essa voz
É como um vulcão!
Essa voz não
Tem tempo,
Nem movimento,
Não tem início
Nem fim.
Essa voz
Ruge
Dentro de mim!

Carlos Maia
16/04/17

domingo, 16 de abril de 2017

















Para Antônio Carlos Oliveira (Tatá)

Você se lembra, amigo?
Quando, como Apolos,
Desbravávamos
Dimensões inimagináveis?
Quando não tínhamos medo
Do desconhecido
E que o inusitado
Era o nosso cotidiano?
Você se lembra, amigo?
Quando a matéria
E os nossos próprios corpos
Eram meros veículos
Que nos levavam
A viagens totalmente insólitas?
Onde eu me via
Candidamente em você
E você em mim?
Você se lembra, amigo?...
Em que curva da estrada
Eu te perdi
E você a mim?

Carlos Maia
31/12/16

sábado, 15 de abril de 2017

















À DERIVA

Estamos todos
No mesmo mar
Uns em Mega-Hiper
Iates de luxo,
Outros em câmaras
De pneu de trator,
Mas independente
Do grau de conforto
Estamos todos
À deriva.

Carlos Maia
19/12/16

segunda-feira, 10 de abril de 2017


















Chama Brisa

Lampeja relâmpago
Centelha faísca
Brisa inflama
Chama a chama

Arde a ferida
Sua a dor
Apaga, incandesce
Movimento, calor

Pranteia, abriga
Dissolve-nos
Ilumina a cor
Brisa vem, suaviza
Move a chama
Ventila em-canto
Flameja cura
Dança a vida

Jordanna Mendonça


Inspiração recebida em 30/08/2016. Dia da notícia do início do tratamento de Janine.

















É lindo demais
Do sertão ao cais
Imagens fantasmagóricas
Do teu passado guerreiro
Joaquim Nabuco
Duarte Coelho
Ponte Maurício de Nassau
Recife à noite
Me inebria
Me acalanta
E me cria
Estrela D'Alva
No Marco Zero
Recife,
Cada dia mais
Eu te quero!

Carlos Maia
09/04/17

terça-feira, 4 de abril de 2017

















Voltei para rever
A praça Maciel Pinheiro
Sentir o fedor
Das esquinas sujas
Da minha cidade
Dos paradoxos
Da minha cidade
Cidade que está 
Entranhada nos
Meus ossos.
Cidade que me extasia
E causa nojo
Ao mesmo tempo
Cidade que me alucina,
Me prende e me fascina
Cidade que me atordoa
Cidade em que eu fico à toa.
Cidade que me cansa
E me renova
Cidade com a qual
Irei até a cova.
Cidade que me mata
E me acorda.
Recife,
Minha eterna
Veneza Brasileira,
Irei contigo
Até o fim!

Carlos Maia
03/04/17