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Mostrando postagens com marcador William Carlos Williams. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016















O LAMENTO DA VIÚVA EM PLENA PRIMAVERA

O pesar é o meu quintal
onde a grama nova
flameja como tantas vezes
flamejou antes não porém
com o fogo gélido
que se fecha este ano à minha volta.
Trinta e cinco anos
vivi com meu marido.
A ameixeira hoje está branquinha
de pencas de flores.
Pencas de flores
carregam os galhos de cerejeira
e dão a alguns arbustos cor
amarela e vermelha a outros
mas o pesar dentro de mim
é mais forte que elas ·
pois embora fossem a minha alegria
antigamente, eu hoje as vejo
e Ihes volto as costas deslembrada.
Hoje o meu filho me disse
que para lá dos prados,
na orla da floresta cerrada,
viu à distância
árvores de flores brancas.
Bem que eu gostaria
de ir até lá
para deixar-me tombar sobre essas flores
e afundar no brejo perto delas.

William Carlos Williams
Trad.: José Paulo Paes 













PRELÚDIO AO INVERNO

A mariposa sob as goteiras
com asas como
a casca de um tronco, estende-se

e o amor é uma curiosa
coisa suavemente alada
imóvel sob as goteiras.

William Carlos Williams
Trad.:  José Lino Grünewald





















O POEMA

Tudo está
no som. Uma toada.
Raramente uma canção. Devia

ser uma canção - feita de
minúcias, vespas,
uma genciana - algo
imediato, tesoura

aberta, olhos
de uma dama - despertando
centrífuga, centrípeta.

William Carlos Williams
Trad.: José Lino Grünewald

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016


















                                         Arte: Van Gogh

O LAVRADOR

Perdido em pensamentos o
lavrador passeia sob a chuva
por seus campos vazios, mãos
nos bolsos,
na cabeça
a colheita já plantada.
Um vento frio vem encrespar a água
entre as ervas tostadas.
Por toda parte
o mundo rola friorento para longe:
negros pomares
escurecidos pelas nuvens de março -
deixando espaço livre aos pensamentos.
Lá embaixo, além da galharia
rente
ao carreiro encharcado de chuva
assoma a figura artista do
lavrador - compondo
- antagonista

William Carlos Williams
Trad.: José Paulo Paes

sexta-feira, 14 de agosto de 2015


















Que a serpente fique à espreita
por entre a relva. Que a escritura
seja feita de palavras,
lentas e rápidas, afiadas
quando golpeiam, calmas quando esperam,
e que nunca adormeçam.
Reconciliar, pela metáfora,
as pessoas e as pedras.
Construir. (Não com idéias
mas com coisas) Inventar!
Minha flor é a saxífraga:
a que faz estalar a rocha.


William Carlos Williams, “A sort of a song”